quinta-feira, 8 de maio de 2008

Nosce te ipsum; lê-te a ti mesmo.

... [tal provérbio] pretendia ensinar-nos que, a partir da semelhança entre os pensamentos e paixões dos diferentes homens, quem quer que olhe para dentro de si mesmo, e examine o que faz quando pensa, opina, raciocina, espera, receia, etc., e por que motivos o faz, poderá por esse meio ler e conhecer quais são os pensamentos e paixões de todos os outros homens, em circunstâncias idênticas. Refiro-me à semelhança das paixões, que são as mesmas em todos os homens, desejo, medo, esperança, etc., e não à semelhança dos objetos das paixões, que são as coisas desejadas, temidas, esperadas etc. Quanto a estas últimas, a constituição individual e a educação de cada um são tão variáveis, e são tão fáceis de ocultar a nosso conhecimento, que os caracteteres do coração humano, emaranhados e confusos como são, devido à dissimulação, à mentira, ao fingimento e às doutrinas errôneas, só se tornam legíveis para quem investiga os corações. E, embora por vezes descubramos os desígnios dos homens através de suas ações, tentar fazê-lo sem compará-las com as nossas, distinguindo todas as circunstâncias capazes de alterar o caso, é o mesmo que decifrar sem ter uma chave, e deixar-se o mais das vezes enganar, quer por excesso de confiança ou por excesso de desconfiança, conforme aquele que lê seja um bom ou mau homem.
Mas mesmo que um homem seja capaz de ler perfeitamente um outro através de suas ações, isso servir-lhe-á apenas com seus conhecidos, que são muito poucos. Aquele que vai governar uma nação inteira deve ler, em si mesmo, não este ou aquele indivíduo em particular, mas o gênero humano. O que é coisa difícil, mais ainda do que aprender qualquer língua ou qualquer ciência...
Hobbes, "Leviatã".


(nenhuma pretensão de ser governante what so ever)

terça-feira, 29 de abril de 2008

- Aconteceu quando a gente não esperava
Aconteceu sem um sino pra tocar
Aconteceu diferente das histórias
Que os romances e a memória
Têm costume de contar
Aconteceu sem que o chão tivesse estrelas
Aconteceu sem um raio de luar
O nosso amor foi chegando de mansinho
Se espalhou devagarinho
Foi ficando até ficar
Aconteceu sem que o mundo agradecesse
Sem que rosas florescessem
Sem um canto de louvor
Aconteceu sem que houvesse nenhum drama
Só o tempo fez a cama
Como em todo grande amor.
[...]
- Aconteceu
O que aconteceu
Foi melhor assim
Estava por um fio
Estava por um triz
Estava já no fim
Todo mundo via
Que acontecia
Pois aconteceu
Era o que devia
Quando um descaminho
Acha o seu desvio
Tudo se alivia
Foi melhor assim
Quando dei por mim
Já estava aqui e agora.




- Às vezes nunca te vi antes
Às vezes nunca amantes
Nunca além
As vezes nunca te quis
As vezes nunca infeliz
Nunca ninguém

Não te reconheço mais
Tuas roupas são outras
E soltas de mim
As palavras da tua boca

Te vejo e pareço louco
Sem memória sem história
Até que alguma canção
Algum cheiro ou expressão
Me faça te ver de novo
Mas é rápido é quase pouco...
E nem dói nada...
Nossa paixão congelada

Não te reconheço mais
Tuas roupas são outras
E soltas de mim
As palavras da tua boca.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Por um lado estudantes desacatam autoridades e fazem manifestos sobre o direito de expressão sobre a legalização da maconha enquanto outros jovens gritam artigos da linda constituição de oitenta e oito feita num pós-ditadura tão duro e tão dura que hoje invocada por esses mesmos estudantes como presente, como real, como aqui, ali, na figura da starling, na figura da polícia.

Do outro lado jovens ignorantes pacíficos estagiam e estudam lindos artigos que nunca saíram do papel e boas intenções que pavimentam o caminho do inferno. Jovens isolados no borbulhante centro caótico de uma métropole subdesenvolvida com pobres, pretos, podres que morrem de fome e engolem olhares enviesados de homens - e jovens - de terno.

Do lado de cima grandes nomes, grandes símbolos, grandes pompas e firulas para o majestral Sr. dono do Nada que vai passar trazendo - trazendo o quê? Trazendo qualquer medida paliativa, prerrogativa, provisória dizendo que sempre foi assim e sempre será e o progresso pertence ao futuro como a inflação pertence ao presente. E do nada fez-se tudo e a sociedade é só mais uma grande palavra cheia de grandes firulas para que os grandes homens possam repeti-la e repeti-la e reproduzi-la sem medo e sem vergonha para o povo - uma palavra pequenininha - que ouve e acredita e crê e reza e chora e não faz nada.

Porque massa é massa e sem artesão ninguém se constrói.


Seja seu próprio artesão.



Eu só acredito no semáforo.

domingo, 6 de abril de 2008

Eu abri a porta e sorri e recebi as mil pessoas com abraços e carinhos de quem ainda não conhece, mas que vai gostar depois de conhecer.
Eu bebi e servi e eu quis que a música tocasse mais alto e que as pessoas dançassem mais, eu quis que alguém me abraçasse e sentisse o mesmo que eu, que minha felicidade fosse palpável nas pontas dos meus dedos e sobre meus lábios.

Ainda não entendi que força misteriosa é essa que coloca e tira as pessoas do nosso caminho; às vezes em horas tão certas, às vezes em horas tão incertas - eu não me atreveria a dizer erradas.

ainda não entendi que força é essa que conspira ao nosso favor às vezes e faz o universo parar e suspirar no ritmo do meu coração; ainda não entendi como essa força cessa, pára, foge, vira, fuga, como ela se esvai por entre as portas e os pequenos gestos sem importância.

Uma alegria, e mais que alegria, uma felicidade me invade, uma felicidade de saber que guio meus próprios pés para onde quiser ir, e que pessoas legais e pessoas ruins sempre haverá, e independentemente de qualquer pessoa tem eu, só eu, que posso ser uma pessoa legal ou uma pessoa ruim, que posso parar ou posso correr, que posso amar ou posso fugir, que posso fazer as pazes com o passado ou remoê-lo até perder os cabelos;

uma alegria de ver desconhecidos se tornarem constantes na minha vida e conhecidos se tornarem amigos;

porque "sinceramente, eu não achava que era possível encontrar uma pessoa tão legal quanto você na faculdade."

Rompantes alcóolicos colegiais à parte,
Eu vivo, e vivo sim, e há quem não vive e nem por isso está morrendo.
Anda por aí, respirando, falando, ocupando espaço e tempo
e nem por isso sabe sentir até o fundo do estômago a dor do agora.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Porra, essa semana passou rápido.

Quanto mais horas eu acumulo naquela faculdade mais horas eu acho que vou precisar acrescentar no meu dia, porque nada pára nunca e o tempo fica cada vez mais curto.
É a plena satisfação de se descobrir exatamente onde se queria estar; de ter mil possibilidades abertas bem na ponta do nariz. Uma força que nunca seca e que vem lá de dentro e tem uma fonte só: um amor incalculável. Pela vida, por essa cidade que eu só sinto saudades hoje, por momentos inexplicáveis e soberanos neles mesmos, pela ação e não pelas palavras vãs escritas em escritos imateriais, pelos gestos e pelos olhares,
amor pela presença,
e por um apoio, um respaldo técnico psico-emocional que só o amor e a reciprocidade do amor sabem dar.


E mesmo assim, e mesmo tendo pensado todas as vezes que eu entrei em um ônibus nessa semana que eu estou exatamente onde eu pertenço e onde eu quero estar,
o pé coça e pede pra andar e ir mais longe, e ver o quão longe eu posso ir, e andar distâncias imensuráveis e explorar e ir até aquela tênue linha do limite entre a coragem e a pretensão, a vida e a existência besta.


Que todo cotidiano seja uma caixinha de surpresas de pequenos prazeres,
e que partir seja sempre uma escolha e não uma fuga.

Cheers!

terça-feira, 1 de abril de 2008

Te escrevo um post besta?

- Não, hoje não, obrigada, fica pra próxima?

terça-feira, 11 de março de 2008

Gone living.(peeeéssima)

Tô numa daquelas fases em que a gente vive mais do que pensa, do que escreve, do que acha que tá vivendo. Ando no mundo real nesses últimos dias. E pretendo ficar por lá por um bom tempo.

Em boa companhia =]


What happens when you lose everything? You just start again, you start all over again !
I like to wait to see how things turn out if you apply some pressure!



(E sobre aquela dor de cotovelo, ela foi devidamente superada por algo mil vezes melhor que a dor da ausência, da solidão, que as peças da imaginação. É comprovável nas pontas dos dedos...)

Ta présence ne m'emmerderai plus!

Second chances they don't ever matter, people never change. Once a whore you're nothing more, I'm sorry, that'll never change. And about forgiveness, we're both supposed to have exchanged but I'm sorry honey, I'm passing up!
Well there's a million other girls who do it just like you looking as innocent as possible to get to who they want and what they like, it's easy if you do it right!
Well I refuse, I refuse, I refuse!

Oh, I never meant to brag but I got him where I want him now!
It was never my intention to brag, to steal it all away from you now... But God does it feel so good! 'Cause I got him where I want him right now.
If you could then you know you would, 'cause god it just feels so good!

I watched his wildest dreams come true, not one of them involving you!
Just watch my wildest dreams come true, not one of them involving...

You.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Nada como uma boa brega dos anos oitenta para curar uma boa dor de cotovelo.

Normalmente era I Will Survive, mas acho que ainda não estou pronta pra ela.



Turn around,
Every now and then I get a little bit lonely and you never coming round
Every now and then I get a little bit tired of listening to the sound of my tears
Every now and then I get a little bit nervous that the best of all the years have gone by
Every now and then I fall apart
Every now and then I get a little bit restless and I dream of something wild
Every now and then I get a little bit angry and I know I´ve got to get out and cry

Your love is like a shadow on me all of the time
I don't know what to do and I'm always in the dark
I really need you tonight
Forever's gonna start tonight

Once upon a time I was falling in love
But now I'm only falling apart
There's nothing I can do
A total eclipse of the heart
Once upon a time there was light in my life
But now there's only love in the dark
Nothing I can say
A total eclipse of the heart

Turn around,
every now and then I know you´ll never be the boy you always wanted to be but
every now and then I know you´ll always be the only boy who wanted me the way that I am
every now and then I know there´s no one in the universe as magical and wondrous as you
Every now and then I know there´s nothing any better and there´s nothing I just wouldn´t do
Turn around bright eyes,
Every now and then I fall apart
And I need you now tonight
And I need you more than ever


There's nothing I can say
a total eclipse of the heart.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

No filme, ela disse: "Estou tentando não te querer, porque é o único jeito de te ter."


Achei meio infantil.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Lá lá lá

Let it never be said, the romance is dead
Cos there’s so little else occupying my head
There is nothing I need except the function to breathe
But I’m not really fussed, doesn’t matter to me

Due to lack of interest tomorrow is cancelled
Let the clocks be reset and the pendulums held
Cos there’s nothing at all except the space in between
Finding out what you’re called and repeating your name

Ruby, Ruby, Ruby, Ruby
do ya, do ya, do ya, do ya
know what you doing, doing to me?

Could it be, could it be that you’re joking with me
And you don’t really see you with me?

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Eu devo ir, não há mais sentido, nos resta se juntar. Quem sou eu já não importa nem nunca importou.... o que importa é o que te quebra em duas cidades, o que importa é o que te deixa tão transfuso.

O que é a dor? Eu não entendo, mas sinto apertar de leve o meu peito nas madrugadas quando estou a navegar. Faz quarenta dias que eu estou no meu barco a vela e não me sinto tão sozinho, eu tenho meus amigos que só aparecem quando eu bebo.

Só aparecem quando eu bebo... que só aparecem quando eu não sou eu. E hoje eu não... que importa é o que te faz rachar as velas, o que importa é o que te faz abrir os olhos de manhã! E já é de manhã...

Adeus, já é de manhã, a estrada espera,

já é de manhã.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Escrever estraga.

E estragaria esse sutil sentimento que me ocupa e que se ocupa de mim agora.
Não é saudade nem nostalgia, talvez uma branda forma de inveja, talvez uma peculiar vontade de revisitar e explorar todos os cantos que ficaram esquecidos no turbilhão que eu era.
Vontade de aparecer na frente daquela menina que enfrentava tudo sem medo e dizer para ela que ela nao precisava ter medo de nada. Vontade de apaziguar seu espírito, de lhe dizer para seguir. Talvez faria pouca diferença, já que ela nao se detinha por isso. Talvez ela chorasse na minha frente e seguiria o resto do dia mais feliz.
Eu lembro de todas as pequenas coisas que lhe faltavam e que hoje tenho de sobra e esnobo; eu lembro de tudo simples que lhe alegrava o dia e que trazia paz pro infinito de pensamentos e hoje eles já não me fazem nada, nada além de mais um golpe de indiferença na dureza da minha coragem que virou dureza e só.

Ganhei uma câmera de aniversário pelos meus dezenove desgovernados anos.
E a realidade bateu à minha porta: a vontade de fotografar e me expressar vinha de mim e não da posse da câmera. Vinha de dentro, da certeza da minha felicidade na simplicidade e na sinceridade de um olhar quando as palavras perdem o sentido.

Minha nova câmera de dois pixels a mais e o dobro de memória está no fundo da minha bolsa cheia de fotos de velhos enrugados na praia.


Talvez seja esse o meu destino: aceitar que ele é o de uma velha enrugada, geneticamente provável que seja calva, com certezas de menos, idéias demais e dias de sobra.

domingo, 27 de janeiro de 2008

The truth about Cats & Dogs is that they Die.



crawl out the window make my way down the brick wall
you don't have to be there to catch me
I won't fall.

Protocolo

PASSEI!

=]

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Para que serve um blog - merdadeblog, eu deveria dizer - se não se pode escrever nele aquilo que não se pode dizer?