terça-feira, 8 de abril de 2008

Por um lado estudantes desacatam autoridades e fazem manifestos sobre o direito de expressão sobre a legalização da maconha enquanto outros jovens gritam artigos da linda constituição de oitenta e oito feita num pós-ditadura tão duro e tão dura que hoje invocada por esses mesmos estudantes como presente, como real, como aqui, ali, na figura da starling, na figura da polícia.

Do outro lado jovens ignorantes pacíficos estagiam e estudam lindos artigos que nunca saíram do papel e boas intenções que pavimentam o caminho do inferno. Jovens isolados no borbulhante centro caótico de uma métropole subdesenvolvida com pobres, pretos, podres que morrem de fome e engolem olhares enviesados de homens - e jovens - de terno.

Do lado de cima grandes nomes, grandes símbolos, grandes pompas e firulas para o majestral Sr. dono do Nada que vai passar trazendo - trazendo o quê? Trazendo qualquer medida paliativa, prerrogativa, provisória dizendo que sempre foi assim e sempre será e o progresso pertence ao futuro como a inflação pertence ao presente. E do nada fez-se tudo e a sociedade é só mais uma grande palavra cheia de grandes firulas para que os grandes homens possam repeti-la e repeti-la e reproduzi-la sem medo e sem vergonha para o povo - uma palavra pequenininha - que ouve e acredita e crê e reza e chora e não faz nada.

Porque massa é massa e sem artesão ninguém se constrói.


Seja seu próprio artesão.



Eu só acredito no semáforo.

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